Mostrando postagens com marcador No banco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador No banco. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de junho de 2012

As Brumas de Avalon

Ele estava atrasado, para variar. O trem não vinha e minha agonia aumentava cada vez mais. O próximo a ser esquecido era "As Brumas de Avalon - A senhora da magia", de Marion Zimmer Bradley. O livro foi um grande companheiro durante a minha adolescência. A despedida não foi fácil, não mesmo. Deixar algo que marcou a sua vida não é simples assim. Mas, já estava decidida. O coitado só estava acumulando poeira na minha estante e também seria o melhor para ele. Estávamos ali, despedindo-nos no banquinho. E o bendito trem não vinha. 


Um moço se sentou ao meu lado. Deve ter achado estranho o fato de eu estar conversando com um livro. 

"Não é você, sou eu. E é o melhor para você. Vou te deixar aqui."

Coloquei o livro no banquinho e logo depois, o trem chegou.

"Adeus!" 

Sabe como as mulheres podem e/ou adoram ser dramáticas naquele fase do mês, né? Então corri. Corri, morrendo de medo de que o livro, ops, alguém me chamasse. E quando finalmente entrei no trem e vi o livro, ali no banco, eu sorri. Um pouco de nervoso, confesso. Mas é muito maluca essa sensação que fica quando a gente deixa um livro. Quando a gente abre um mundo de possibilidades e novas histórias. 

P.s: Deixei esse livro na estação do metrô em março. Sim, culpada! Confesso. Mas faltou inspiração e tempo para escrever! 



terça-feira, 13 de março de 2012

Achei o Histórias Brasileiras de Verão

 Mais um relato de quem encontrou um livro. Dessa vez foi aqui em Brasília mesmo. A Gabriela estava indo ao shopping e, como ela mesmo disse, parece que o livro estava destinado a cair em suas mãos.
"Fui eu quem achou o Histórias de Verão, fiquei muito surpresa. Naquela tarde eu estava com muita vontade de ler, tinha ido ao Pontão do Lago Sul e não estava com o livro já havia começado... deu muita vontade de ter algo em mãos pra apreciar. Meu pai então nos levou, eu e meu irmão, umas 16 hrs, para o shopping Pier 21.
Na verdade eu acho que esse livro era pra ser meu... Estávamos esperando a hora passar, meu pai nem disse nada e acabou indo pra lá. Entramos no estacionamento e logo um outro carro veio atrás, era uma mulher. Engraçado foi que ela estava bem atrás de nós e muito próxima do nosso carro nos forçando a continuar o percurso na pista do estacionamento. Chegou muito perto, o que deixou meu pai com raiva, até que a pista se abriu um pouco e ele conseguiu parar o carro. Foi quando passamos pelo banco e bem próximo, uma questão de passos, tinha uma vaga ali de frente pro lago (obs: o shopping estava muito cheio e haviam vários carro procurando vagas, encontramos uma bem ali pertinho do livro), e eu fui ver. Achei que alguém tinha esquecido ele ali, mas cheguei mais perto e vi que tinha um bilhete. Peguei e comecei a ler o papel amarelo, eu estava com medo, mas logo li algo que me tranquilizou e me deixou ofegante de tão feliz: "se você encontrou esse livro, então ele é seu".
Entrei dentro do carro, li o bilhete para meu pai e meu irmão e perguntei: "Será que eu sou a primeira pessoa a ver esse livro aqui?", e meu irmão disse: "Não, você foi a primeira a querer pega-lo", concordei.
Fiquei surpresa com a iniciativa e digo que estão de parabéns, na verdade eu achei lindo isso. Essa coisa de doar o que já foi usado para as histórias encontrarem novas pessoas... achei incrível. Fiquei realmente encantada, saí mostrando pra todo mundo que havia achado um livro no banco, eu realmente fiquei muito feliz! Só tenho agradecer pois essa atitude poucos tem, na verdade, quase ninguém.
Peço a vocês (acho que são mais de uma pessoa, nem sei ao certo) que não parem com essa iniciativa, eu amor ler, muito mesmo. Mas foi porque desde sempre eu preferi livros a brinquedos, minha mãe me ensinou a gostar de ler, a ter o prazer de pegar um livro e folheá-lo pra depois ler... Juro pra vocês que em todo aniversário meu eu pedia pra meus pais me deixarem o dia todo na Saraiva. Vou fazer 15 anos e ainda nunca realizaram meu desejo.
Enfim, só quero lhes dizer que eu fico muito feliz em poder acreditar que existem pessoas assim "diferentes", espalhando uma atitude tão linda. Comecei a ler muito cedo, e só agradeço a minha mãe. Muitas pessoas hoje, jovens principalmente, não tem esse incentivo dentro de casa, até mesmo porque foi algo que não foi ensinado de pai, pra pai. É bom poder pensar que um despertar em pegar um livro em um lugar assim, possa dar vontade de ler em alguém, possa fazer uma pessoa que mal lê os livros da escola, poder começar a gostar realmente.. Parabéns a todos vocês, obrigado também.
Beijos, Gabriela G."

Gabriela, nós que agradecemos mil vezes o seu e-mail. É maravilhoso saber que conseguimos chegar a uma pessoa que ama os livros, como nós. Obrigada por tudo, pelos seus elogios e seu entusiasmo. E nos ajude a passar a inciaitiva para frente!

 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A concierge e o poeta

A Dany é uma devoradora de livros desde pequenininha. Hoje é cineasta e aspirante a escritora, sua obra reflete muito da poesia e das histórias que ela absorveu durante a vida.

"Meninas,

Confesso que estou adorando a ideia de abandonar livros por aí com bilhetinhos carinhosos ao acaso. Além do exercício de desapego, é muito gratificante imaginar que as histórias vão ganhar novas potencialiades de acordo com a imaginação do novo dono. Vai que o livro é exatamente o que a pessoa estava precisando naquele momento? Vai que a história faz eco com alguma emoção? Quantas vezes isso não acontece com a gente, não é? Então acho lindo pensar que a gente simplesmente pode dar uma "mãozinha" pro destino ao libertar os livros da estante...

O primeiro que libertei foi A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, há cerca de duas semanas. Como o livro gira em torno de uma "concierge"(espécie de zeladora) apaixonada por literatura, resolvi escolher um local inspirado na história. Deixei o livro em cima de um banquinho num prédio de superquadra, perto da casinha do zelador. Quem sabe não haveria um "concierge" por ali? Ou mesmo um moradora esperta como a personagem Paloma, em busca de um sentido para a vida? Achei que o cenário de um prédio, cheio de apartamentos e possibilidades, era perfeito. 

Deixei o livro por volta das 10h e, quando fui trabalhar, por volta de 14h, ele ainda estava lá. Acho que muita gente fica com receio de pegar. A boa notícia é que, quando voltei do trabalho, o livro não estava mais lá! Bingo!

Depois da felicidade que esse "abandono" me trouxe, resolvi partir pro segundo livro. Nesta semana, deixei um livro de poemas do Millor em cima de um caixa eletrônico do Banco do Brasil. Pensei que era um bom lugar pra espalhar poesia, ainda mais uma poesia ácida e crítica, direta como a do Millor. Porque a gente não quer só dinheiro. A gente quer dinheiro e felicidade. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.

É isso, meninas. Já separei outros livros para espalhar por aí. Tenho deixado o e-mail de vocês nos bilhetinhos. Quem sabe chega por aí algum relato...


Beijos,
Danyella Proença"

Dany, ficamos muito felizes com a sua participação! A sensação é mesmo uma delícia. Vamos continuar deixando nossos livros por aí.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

E a vida te leva um livro


Eu estava bastante ansiosa para abandonar o meu primeiro livro. Confesso que fiquei horas pensando onde deixar o livro “O que se leva dessa vida", da Maria Cilene.

Resolvi deixá-lo no caixa eletrônico que fica no Espaço de Convivência (um espaço para os empregados da empresa onde trabalho). Me aproximei do caixa eletrônico, coloquei o livro em cima (tive a impressão de que todos estavam me olhando,  mas logo percebi que era coisa da minha cabeça e fiquei mais tranquila) tirei um extrato, e com as mãos suando frio, fui embora e deixei o livro lá.
Mas como a minha curiosidade era grande demais, decidi ficar sentada em frente a porta de saída (fingindo que estava em uma ligação) para ver quem sairia segurando o meu primeiro livro abandonado.
Logo em seguida, sai uma moça (com leve sorriso no rosto) segurando o livro e lendo o bilhete  . Fiquei tão feliz, emocionada e nervosa que comecei a rir (alto), a moça olhou pra mim com uma cara do tipo: - será que essa maluca está rindo de mim?
Rapidamente tive que disfarçar, e comecei a falar no celular como se estivesse em uma ligação bem divertida.
Ufaaaa... a moça continuou lendo o bilhete e saiu.
Fui embora feliz em saber que esse livro será lido por outra pessoa :)

O primeiro livro abandonado a gente nunca esquece!