segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Livros, metrô e Nova York: The Underground New York Public Library

“How Should a Person Be?” by Sheila Heti 


"Uma grande biblioteca visual". Esse é um dos conceitos do projeto "The Underground New York Public Library". Desde 2008, a fotógrafa marroquina (e contadora de histórias) Ourit Ben-Haim, diariamente clica momentos de leitura de passageiros nos metrôs de Nova York. Depois, ela publica a fotografia e o título do livro em seu blog. 

Você julga uma pessoa pelo livro que ela está lendo? Devo confessar que sempre que ando de metrô, fico observando o que as pessoas estão lendo. Já vi muita coisa: livros de autoajuda, nerds, guerra, poesia, culinária e até bíblia no iPhone. Quando me dou conta, lá estou divagando e me perco em pensamentos, imaginando o que fez a pessoa escolher tal livro, como ela é e pelo que está passando. Também já reparei certa curiosidade de outros passageiros quando estou lendo algo (alguns exageram, inclusive). Todas essas questões e a relação dos "leitores subterrâneos" sempre me chamou a atenção. Não é por um acaso que o metrô sempre foi meu lugar favorito para "esquecer" os livros. Acho que a nossa amiga Ourit (fiquei íntima, clica aqui para ver o perfil dela no Facebook. Ok, stalker alert!), também compartilha desse pensamento. Imortalizar tais momentos e universos por meio da fotografia, faz desse projeto algo genial e muito especial.  


"Blueberries for Sal," by Robert McCloskey


Para que fique mais organizado, o blog é dividido por categorias: Friday EReader, em que ela publica fotos de pessoas  lendo em seus tablets na sexta-feira; Sunday Morning Bible, são clicadas pessoas lendo bíblias nos domingos;  Tuesday Translation é a terça-feira da tradução -  os leitores do blog podem ajudar a traduzir o título de alguns livros.

Ourit escreve que sempre tenta anotar o nome do livro, seja fotografando ou até perguntando para a própria pessoa. Quando  não consegue, ela pede ajuda no blog (tem uma categoria lá pra isso também). 

"The Underground New York Public Library" é uma daquelas coisas que a gente para, põe a mão na cabeça e fala: "Como não pensei nisso antes?" Uma ideia simples e fantástica. E no final das contas, é muito mais do que um projeto sobre livros, é um projeto sobre gente.

Para conferir, clique aqui

domingo, 7 de outubro de 2012

Toda saudade do mundo


"Amor, sabes que te amo demais. Tive muitas mulheres antes de ti, mas nenhuma foi a 'minha mulher'. Por isso não era fiel às outras. Tu foste a melhor coisa que a vida me deu e a minha alegria reside em ti. Não sei como suportarei te esperar. Anseio pela hora de te ver e te ter ao meu lado (...)"


 Carta que Jorge Amado escreveu do exílio, em Paris, à sua mulher, Zélia Gattai. Em 25 de fevereiro de 1948. Disponível no livro TODA SAUDADE DO MUNDO, organizado pelo filho deles, João Jorge Amado.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Lionel Shriver, Kevin e seu pós-aniversário.

Resolvi inaugurar a categoria “Recomendo” com dois livros da mesma autora.

Meu interesse pela Leonel Shriver começou quando eu trabalhava em uma livraria. Sempre achei a capa de Precisamos Falar sobre Kevin muito intrigante e, ao ler a resenha, fiquei curiosíssima. O problema de conviver diariamente com livros é que sempre existem um milhão e tantos outros que eu “sempre quis ler”, e os novos ficavam para depois. Quase um ano depois, passeando por esta mesma livraria, eis que o encontro com desconto. Não pensei duas vezes, comprei e na mesma hora comecei a ler.

Conforme a leitura avançava, fui entrando no mundo de Eva, Kevin e sua família com uma curiosidade mórbida, chocada e maravilhada. Li alguns textos falando que a história trata da ausência dos pais na educação dos filhos. Vi de um modo diferente: para mim, o livro mostra como o relacionamento entre pais e filhos pode ser muito mais complexo do que acreditamos. A autora desconstrói a ideia da maternidade como um momento mágico, único e especial e mostra que a ideia “amor incondicional” não é necessariamente verdadeira.

Algo que chamou muito a minha atenção foi a pesquisa que Shriver fez sobre os casos de adolescentes que realizam massacres em escolas e universidades norte americanas. As referências de histórias verdadeiras, o retrato psicológico dos personagens, os detalhes do relacionamento dos membros da família. Tudo é tão forte, humano, verdadeiro, que fui pesquisar se não era realmente uma história verídica. Não é.


Muitas pessoas me perguntam: o livro é muito pesado? Sim, é muito. Me consumiu demais. Mas nos quatro últimos capítulos, principalmente, eu não conseguia parar de ler. Fui dormir de madrugada vários dias seguidos porque queria saber como acabava a história. Como me recusei a ver o filme ou ler qualquer coisa sobre ele antes de acabar, eu não tinha ideia do final (de tirar o fôlego, aliás).


Quem gosta de uma leitura mais leve, talvez não consiga chegar até o fim do livro. Perdi o ar algumas vezes, senti o estômago comprimido e o coração acelerado. Fiquei espantada, surpresa, diversas vezes. Quando acabei de ler, tiver que passar algum tempo digerindo tudo o que havia acontecido, entendendo os personagens, processando os fatos.

Foi então que, contaminada por este livro, comprei também O Mundo Pós-aniversário. Os dois livros são muito diferentes e muito parecidos ao mesmo tempo. Shriver entra nos personagens e nos assuntos abordados com a mesma profundidade, em narrativas bem distintas.

Fiquei muito surpresa quando, ao terminar o primeiro capítulo, havia dois capítulos 2, dois capítulos 3, dois capítulos 4 e assim por diante. A partir da história das primeiras páginas, a vida de Irina McGovern se desenrola de duas maneiras completamente diferentes com desfechos inesperados. Os capítulos opostos fazem um paralelo da vida da personagem a partir da decisão que ela toma no primeiro capítulo.

Mais uma vez a autora me surpreendeu com a profundidade e os detalhes. As duas histórias do livro são igualmente envolventes e por muitas vezes eu “virava a casaca”, concordando e discordando com uma ou outra decisão de Irina. Fiquei pensando como muitas vezes ficamos perdidos quando precisamos tomar uma decisão importante na vida, com medo de escolhermos a errada, sendo que, no fim das contas, não existe certa ou errada.

O que mais me atrai nos livros de Shriver é a maneira como ela nos envolve com os personagens. A raiva, a indignação, a dúvida, o nervosismo... muitas vezes eu não sabia quais eram os sentimentos dos personagens e quais eram os meus. A sua pesquisa vai muito além de apenas fatos, datas e ideias, ela faz uma pesquisa psicológica muito profunda para montar seus personagens.

Ainda não sei quando vou deixar esses livros por aí. Acho que vou lê-los mais uma vez ainda, até conseguir me desapegar.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O nascimento de um livro


Desde pequena (quer dizer, quando eu era menor ainda), sempre fiquei imaginando como era o processo de montagem dos livros. Isso era algo que realmente me intrigava. Os livros trazem tanta magia para as nossas vidas e o nascimento deles não poderia ser de outra forma, senão mágico.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Apaixonados por livros - #TubainaCast

Uma conversa incrível  e muito gostosa sobre livros que acabou de acontecer. 
Falaram um pouquinho do #Euacheiolivro. Para quem é apaixonado por livros, vale a pena assistir!

Quem gostou do bate-papo, ele rola toda segunda-feira, às 21h.
http://tubainacast.com.br/


terça-feira, 5 de junho de 2012

As Brumas de Avalon

Ele estava atrasado, para variar. O trem não vinha e minha agonia aumentava cada vez mais. O próximo a ser esquecido era "As Brumas de Avalon - A senhora da magia", de Marion Zimmer Bradley. O livro foi um grande companheiro durante a minha adolescência. A despedida não foi fácil, não mesmo. Deixar algo que marcou a sua vida não é simples assim. Mas, já estava decidida. O coitado só estava acumulando poeira na minha estante e também seria o melhor para ele. Estávamos ali, despedindo-nos no banquinho. E o bendito trem não vinha. 


Um moço se sentou ao meu lado. Deve ter achado estranho o fato de eu estar conversando com um livro. 

"Não é você, sou eu. E é o melhor para você. Vou te deixar aqui."

Coloquei o livro no banquinho e logo depois, o trem chegou.

"Adeus!" 

Sabe como as mulheres podem e/ou adoram ser dramáticas naquele fase do mês, né? Então corri. Corri, morrendo de medo de que o livro, ops, alguém me chamasse. E quando finalmente entrei no trem e vi o livro, ali no banco, eu sorri. Um pouco de nervoso, confesso. Mas é muito maluca essa sensação que fica quando a gente deixa um livro. Quando a gente abre um mundo de possibilidades e novas histórias. 

P.s: Deixei esse livro na estação do metrô em março. Sim, culpada! Confesso. Mas faltou inspiração e tempo para escrever! 



Livros, arte e solidariedade

Hoje saiu no Correio Braziliense uma matéria muito bacana sobre o blog. Ficamos muito felizes de estarmos despertando tanta curiosidade nas pessoas.