terça-feira, 1 de abril de 2014

Como tudo começou?


Convidada para falar no Ossobuco de Março, a Jeanne fez uma palestra linda contando como começamos esse blog.

Gostaram?



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Pela primeira vez na Europa



Era a minha primeira vez na Europa: 3 países, 7 cidades e a vontade de levar um livro para cada canto que eu fosse. Mas não dava. Levei só dois pockets que eu tinha em inglês: 1984 e Long Walk for Freedom. O problema maior nessas missões de largar um livro em viagens é saber onde deixá-los e qual a melhor hora de carregar o livro na mochila que já está quase sempre pesada.

Depois de passar por Colônia, minha segunda cidade era Düsseldorf, onde eu passaria menos de 24 horas. Chegamos pouco antes do almoço e resolvemos sair para conhecer a cidade, já que o tempo era curto. A ideia nem era levar a mochila, mas eu teria tanto trabalho em procurar uma bolsa na mala que só tirei o que não era necessário de dentro dela e saí. Por sorte, resolvi deixar o 1984 lá.

Enquanto a nossa anfitriã alemã mostrava a cidade para mim e para uma amiga, me distraí com as histórias e o charme dos cantinhos de Düsseldorf, até esqueci da minha missão. Horas depois comentei com as meninas sobre minha encomenda secreta e pedi para me ajudarem a achar um bom lugar.

Foi então que a Vanesa, a alemã, me contou que em uma praça da cidade, perto de onde estávamos, havia alguns armários nos quais podíamos deixar um livro e pegar outro. Isso... assim... no meio da rua para quem quisesse. Coisa de alemão (nem só de alemão, aqui em Brasília  também tem).

Estava prestes a chover e eu não queria deixar meu livro a céu aberto. Então resolvi fazer diferente e participar desse projeto alemão, mas sem abandonar a ideia do Eu Achei o Livro de colocar sempre um bilhetinho na capa. Chegamos na praça, coloquei o 1984 no armário e peguei um livro infantil em alemão para trazer de presente para um amigo.

Confesso que, apesar de não ter tido a mesma emoção de deixar o livro em algum lugar no meio da rua para ser encontrado, achei uma delícia poder participar de um projeto estrangeiro com a mesma ideia de disseminar a leitura.

O armário e eu, bem natural.

O livro que veio comigo.



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Em jardins alemães




Já era o décimo quarto dia de viagem e eu tinha dois problemas: faltavam pernas e coluna para andar por Berlim e eu precisava tirar peso da mala, a Ryan Air só permitia 20 kg. Ou seja, minha ideia de deixar um livro na Alemanha e outro em Londres já era. Um havia ficado em Düsseldorf (mas esse eu só vou contar depois) e o outro ficaria ali em Berlim mesmo.

Decidi tirar um dia sabático, se é que isso existe. Meus pés não aguentavam mais cinco passos seguidos e minha lombar gritava de tanto carregar mochila. Larguei a máquina fotográfica em casa para aliviar o peso, peguei a canga, o iPhone, o livro que ia deixar, o livro que ia ler, coloquei na mochila (agora mais leve) e fui em direção ao Tiergarten. Antes, um pit stop no Starbucks para comprar água e uns lanchinhos.

Era oficialmente o primeiro livro que eu largava no exterior (o outro não contou muito) e não era um livro qualquer, tratava-se da autobiografia do Mandela, Long Walk to Freedom. Estava segurando minha ansiedade pra não largar ali, no primeiro pedaço de grama do jardim, ou no primeiro banquinho que eu passasse. Aguentei.

O Tiergarten é um jardim imenso, desses antigos jardins de castelos europeus. A gente anda, anda, anda e nunca acaba. E eu achando que ia descansar. Até que achei um cantinho sossegado pra estender minha canga e, no melhor estilo europeu, deitar pra ler meu livro, escutar música ou pensar na vida. Resultado, o cansaço era tanto que vinte minutos depois caí no sono. Acordei meia hora depois com aquele pensamento brasileiro: - Ai, meu Deus, será que todas as minhas coisas estão aqui? Não me roubaram? Mas, claro, estava tudo ali, inclusive o Mandela.

Li mais um pouco e resolvi procurar o lugar especial onde eu deixaria as palavras de Madiba. O mais incrível nesses jardins é que todo lugar parece especial. O laguinho onde você vê um casal de idosos de mãos dadas namorando no banquinho; o gramado onde um monte de crianças brincam; o cercadinho onde os donos deixam os cachorros correrem; as esculturas escondidas no meio das árvores; entre outros encantos que a gente só vê em filmes, mas está sempre tão distante da nossa realidade.

Foi então que passei numa alameda cheia de banquinhos. Alguns adolescentes conversavam em um, um ou dois casais namoravam em outros, um senhor lia em outro. Encontrei um banco mais distante e sentei. Coloquei o livro atrás de mim e disfarcei lendo mais duas ou três páginas do meu. Levantei com aquela mesma adrenalina e sensação de quem faz algo proibido que já relatei nas primeiras vezes e minha vontade era de sair correndo. Olhei para os lados e vi que ninguém tinha reparado nas minhas atividades clandestinas. Tive tempo, ao menos, de fazer um registro do crime e mostrar para vocês. E ali deixei Madiba.

Um dos lagos do jardim

Escultura em homenagem a música clássica

Casal namorando <3

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Eu recomendo: A Delicadeza, David Foenkinos








Em algum mês de 2012, O filme "A Delicadeza do Amor", com a querida Audrey Tautou estava em cartaz. Não havia assistido ao filme ainda e estava comentando sobre, quando uma amiga me contou que ele havia sido inspirado em um livro muito famoso na França. Não precisa dizer que fiquei super curiosa e li antes de assistir ao filme. E sabe aquelas surpresas boas? É o livro de David Foenkinos. Apesar dos acontecimentos do livro, ele tem uma leveza única e mostra, de fato, a delicadez que nos foge os olhos.

A Jeanne também leu o livro e ela conseguiu transcrever as sensações que o livro causou, melhor que eu:

Um livro que conta uma história de amor. Mais uma? Mas de uma maneira diferente, eu diria. Uma narrativa leve, engraçada e que nos arrebata da agitação e da loucura da vida que vivemos. Uma leitura que abre os olhos. Os olhos do coração e nos faz perceber que nem sempre o melhor pra gente está de acordo com os olhos dos outros. Se deixe levar por esse livro que serviu de inspiração para o filme “A Delicadeza do Amor”, com a atriz Audrey Tautou.

Nós recomendamos!





Por Taís e Jeanne

segunda-feira, 4 de março de 2013

Arrastão

Resolvemos fazer nosso mea culpa e admitir, deixamos isso aqui bem parado nos últimos tempos. Foi por isso que nos reunimos para combinar como deixar o blog sempre atualizado. Essa história de deixar livros por aí acaba tendo períodos de plantio, quando ainda temos que acabar de ler alguns livros, para depois distribuirmos os frutos dessas leituras. E não queremos que o blog fique desatualizado nessas época.

Dessa forma, há algumas semanas novidades apareceram por aqui. Além dos nossos depoimentos e de amigos e pessoas que deixaram ou encontraram os livros, vamos também recomendar leituras, mostrar livros aos quais nos apegamos e ficaram na estante, deixar trechos de livros e postar projetos parecidos, colocar histórias sobre livros, filmes sobre livros e tudo de legal que encontrarmos sobre livros. E foi no almoço para combinar tudo isso que nós quatro resolvemos fazer um arrastão.

Nesse caso, no bom sentido. Se não existia de agora em diante passa a existir um bom motivo pra se fazer um arrastão. Arrastão de deixar. De deixar livros. E o bacana é que serão vários livros achados por uma ou por várias pessoas. Vai ser legal de todo jeito. Cada livro com o bilhete feito por sua antiga dona.
Saímos do nosso almoço e  juntas escolhemos um local: o Conjunto Nacional, um shopping bem no centro de Brasília, no 3º andar, área externa, onde tem um lindo gramado. Lugar bem propício para um encontro com livros.

Para quem achava que não deveria ter saído de casa (sabe aquele dias que tudo da errado antes das 10h da manhã?), o “arrastão literário”, além de ter rendido boas risadas,  me fez sentir uma aventureira (já que no dia do almoço, Brasília teve um apagão e a cidade toda ficou no breu, inclusive o shopping que estávamos, mas isso já é outra história).

Deixamos:
- A Arte de Ser Mulher ( Véronique Vienne) – um livro que fala do comportamento feminino diante das mais diversas situações. Confesso que não concordo com alguns. Mas quem agrada o mundo inteiro, né?

- Xangô de Baker Street ( Jô Soares) – um romance que li durante o adolescência e que me fez rir bastante. Uma leitura leve que conta a aventura de Sherlock Holmes e o seu fiel companheiro Watson em terras brasileiras para desvendar um caso. Jô Soares conseguiu prender a minha atenção desde a primeira página, mostrando a inteligência, humor e habilidade em contextualizar toda a história.

-Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (Stieg Larsson) – um mistério acerca de mensagens misteriosas que um milionário recebe todos os anos em seu aniversário. Mikael Blomkvist é um jornalista econômico investigativo, encarregado de solucionar o caso, uma autoanálise psicológica do próprio autor. Lisbeth Salander é uma hacker, investigadora genial de aparência bizarra. Os dois constroem um elo frágil, marcado por um confiança vacilante e, juntos, vão tentar desvendar o mistério. É o primeiro livro da Trilogia Millenium.

-Poesia Grega e Latina (Péricles Eugênio da Silva Ramos) - coletânea  de poesias gregas e latinas com tradução direta do autor.


Esse foi o nosso 1º arrastão.
O da leitura, o da cultura, o da boa intenção. E esse blog tem nos permitido viver várias experiências, como essa e tantas outras que virão. Ouvir histórias de pessoas de outras cidades, sem nem conhecer seus rostos, ler seus posts de livros que acharam ou os que deixaram por se inspirarem nesse blog. LEGAL DEMAIS!!!!

Se você achou um desses livros, conta pra gente! A gente vai ter o maior prazer de te conhecer por aqui. E se gostaram das novidades, nos digam também!

E como fizemos esse arrastão juntas, esse post também foi feito em conjunto. Cada uma fez sua contribuição. Valeu meninas! Mais uma vez!


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O taxista que deixa livros

Quando desci, o taxista já estava a minha espera. Toda atrapalhada, atravessei a rua com mala, mochila e bolsa. Gentilmente ele desceu do carro para me ajudar. Ao abrir o porta-malas, fiquei surpresa: estava cheio de livros espalhados.

"Nossa, parece o meu carro, cheio de livros.", comentei.

Ele riu e respondeu: "É, é para um projeto".

Ao entrar no carro o taxista contou que achou na internet vários projetos, em São Paulo e outros lugares do mundo, nos quais as pessoas deixavam livros pelas cidades: metrôs, paradas de ônibus, bancos de praça. E que, ao ver tantos livros em casa e pouco espaço para guardá-los, ele resolveu deixar os dele por aí também.

Meu rosto se iluminou! Fiquei louca para interrompê-lo, perguntar se ele conhecia nosso blog e o que ele achava, mas resolvi escutar.

Quando senti uma brecha na fala dele, comentei primeiro sobre o T-Bone, açougue cultural que coloca livros em paradas de ônibus de Brasília.  Achei que se eu chegasse falando do nosso projeto, ele se assustaria ou pensaria que eu estava inventando só para puxar assunto.  Ele achou a iniciativa muito legal e disse que gostaria muito de vir à cidade para conhecer.

Foi aí que Seu Oswaldo* contou que não gostava muito de ler. Até que um dia, quando trabalhava na construção civil e foi enviado para uma obra em Campos do Jordão, encontrou páginas de um livro de autoajuda. Resolveu ler essas páginas sem compromisso. Quando voltou à São Paulo, procurou o livro completo para ler o resto. Não parou mais. Leu vários e vários livros desse gênero.

"Dizem que livro de autoajuda só ajuda o autor, né?! Mas eu gostava muito. Na época fazia muito sentido para mim. Hoje não leio mais isso, perdeu a graça, mas passei a me interessar por outros livros."

Pela variedade de títulos que vi atrás dos bancos do taxi, Seu Oswaldo é do tipo que não tem preconceitos ao ler. Clarice Lispector, Augusto Cury e livros sobre teorias econômicas foram alguns que eu consegui identificar.

Não me aguentei e falei para ele sobre o blog. Ele adorou a ideia e disse que acredita, realmente, que um livro pode mudar a vida de alguém. Contou de um mendigo em São Paulo que, um dia, encontrou um livro e se apaixonou. Como não tinha condições de comprar mais alguns e nem o deixavam entrar em bibliotecas, saiu pela cidade procurando alguém que lhe doasse livros. Resultado, criou uma "bibiteca", uma biblioteca em cima de uma bicicleta, que levava livros a moradores de rua. O mendigo, hoje, faz palestras em vários lugares do mundo sobre seu projeto.
Seu Oswaldo fez eu me lembrar do porquê entrei nesse projeto com a Jeanne e as meninas. Pode ser que a gente não mude a vida de ninguém, mas tenho certeza de que, pelo menos, faremos algumas pessoas terem um dia mais especial.


*Nome fictício, eu realmente me esqueci qual o nome dele (graças a minha memória de peixe dourado).

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um livro deixado bem rapidinho

Como há um tempo eu não deixava livros, levei dois comigo para a viagem a São Paulo e Campos do Jordão. Mas, apesar das surpresas, o feriado foi quase todo de chuva. Fiquei com medo de deixar meus livros e eles estragarem antes que alguém encontrasse.

Hoje, no aeroporto, bateu um peso na consciência de voltar com aqueles dois na bolsa e acabei deixando um. Foi em um restaurante no segundo antes de Congonhas, não me lembro o nome. Passei quase duas horas lendo ali e pensei: talvez alguém também precise de algo para ler e passar o tempo.

Como o restaurante estava cheio, deixei ali, na cadeira, para que a próxima pessoa que a puxassse e sentasse pudesse ter uma supresa.

domingo, 14 de outubro de 2012

Viagem ao Sítio do Pica Pau Amarelo

Quando vi a placa, achei que fosse alguma brincadeira. A caminho de Campos do Jordão, ainda no município de Monteiro Lobato, ela indicava: Sítio do Pica Pau Amarelo - 8 km. Como chovia muito, nem animamos desviar o caminho. Mas corri para o Google para pesquisar.

Descobri que o nome da cidade não é apenas uma homenagem ao grande escritor, mas sim ao seu filho pródigo. Sim, foi ali naquela cidade, no hoje chamado Sitio do Pica Pau Amarelo (antes chamava "São José do Buquira"), que Lobato nasceu e viveu seus primeiros anos de vida. Foi para ali, também, que mudou-se com sua mulher e seus filhos após a morte de seu pai e onde escreveu grandes obras como “A Velha Praga”, “Urupês” e “Sítio do Pica Pau Amarelo”. O Sítio ainda serviu de laboratório para os atores da primeira adaptação da obra de Lobato para a TV.

SP 050 - Rodovia Monteiro Lobato

Pronto, foi o suficiente para despertar minha curiosidade. Combinamos, eu e o namorado, de passarmos na volta do feriado para conhecer.

Saímos de Campos do Jordão mais tarde que o previsto e chegamos a achar que a estrada estaria cheia e teríamos que pegar outro caminho, desistindo do Sítio. Mas, felizmente, o caminho estava tranquilo. A Rodovia Monteiro Lobato (SP 050) é uma delícia. Apesar de ser muito sinuosa, o visual vale a pena. Muitas árvores, a paisagem da serra e várias alamedas no meio do caminho compõe o cenário.


Chegando ao município, seguimos a placa que vi na ida. O "Sítio do Pica Pau Amarelo" fica a 8km do centro da cidade Monteiro Lobato na, olha só, Estrada do Livro!


O sítio


Entrada e saída do Sítio.
A propriedade é particular, pertence a educadora aposentada Maria Lucia Ribeiro Guimarães, que herdou o Sítio de seu avô (que, por sua vez, comprou de um comerciante que adquiriu as terras de Lobato), e abre a visitação todos os dias, das 9h às 17h. Dona Maria Lucia é uma senhora simpaticíssima e apaixonada pelos livros, pela educação e pelas pessoas. Sabendo do patrimônio cultural que tem em mãos, ela não só abre a propriedade ao público, como recebe os visitantes e promove eventos culturais no Sítio. O que mais me impressionou é que ela e a família usam a casa normalmente. Quando chegamos lá, eles estavam terminando de colocar o almoço da família na mesa, passamos pela cozinha, cumprimentamos a todos que foram muito educados e receptivos.


Reino das águas claras


O Sítio é deslumbrante. Apesar do espaço interno (móveis e decoração) não serem originais, o casarão e grande parte da área externa são. Possui 18 cômodos, janelas enormes, e um cheiro de fazenda, paz e calmaria aconchegantes. Os donos possuem uma porção de cachorros, patos, gado, galinhas, cavalo. Depois de olhar e se deslumbrar com a casa, o guia nos indicou o caminho de uma pequena cachoeira, no fundo da propriedade. Era nada mais, nada menos do que o Reino das Águas Claras, o riacho de águas cristalinas onde nadam “peixinhos de olhos arregalados”, como descreve Lobato em sua obra.


Fachada do Sítio
A experiência é emocionante. Mas o melhor é o carisma e a simpatia de Dona Maria Lucia e o guia Cláudio. O amor que ambos sentem pela história do local e pelo autor, o conhecimento que eles tem sobre a obra de Lobato e seus diversos desdobramentos, dá vontade de sentar ali, naqueles jardins enormes, e voltar a ler as aventuras de Narizinho, Pedrinho, Visconde de Sabugosa, Boneca Emilia, Dona Benta, Tia Nastácia e todos os outros personagens. Resultado: saímos de lá encantados e com uma caixa com 6 livros de Lobato (obras para adultos) e um livro de um autor local contando a história do Sítio e do município.

A viagem toda foi uma delícia, mas para nós dois o Sítio foi o ponto alto. Recomendo. É uma experiência encantadora!


Outro Sítio do Pica Pau Amarelo

Tudo o que contei aqui, foi o que aprendemos no Sítio. Fui dar uma pesquisada e descobri que existe um outro Sítio do Pica Pau Amarelo em Taubaté, a antiga fazenda do Visconde de Tremembé.

Há uma grande polêmica sobre o local de nascimento de Monteiro Lobato. Não existe nenhum registro sobre onde ele nasceu realmente. Segundo consta, o Visconde não era casado com a avô do escritor, Dona Anacleta Augusta do Amor Divino. Sua esposa era a viscondessa Maria Belmira de França. Sendo assim, alguns afirmam que Lobato foi criado no sítio de Buquira (nome antigo do município Monteiro Lobato) com a avó e as irmãs, outros afirmam que ele foi criado junto com o avô.

Tia Nastácia.
Mas, de fato, o autor morou entre 1911 e 1917 no sítio que hoje é de Dona Maria Lúcia. Foi lá que ele criou personagens como Jeca Tatu e todas as histórias do Sítio do Pica Pau Amarelo. E foi ali que Monteiro Lobato se consagrou como um grande escritor da literatura brasileira, após escrever alguns artigos para O Estado de São Paulo denunciando o abandono da região.

Sem dúvidas, Lobato baseou seus personagens e histórias em tudo que viveu nas duas propriedades citadas do avô, além de várias outras, já que este era um fazendeiro abastado e o escritor passava férias em diversas dessas fazendas e sítios. Dona Benta era, provavelmente sua, avó Anacleta. Narizinho e Emília foram baseadas em suas irmãs e Pedrinho era a criança que o escritor gostaria de ter sido. Tia Nastácia era a mucama de Lobato e de sua esposa, Purezinha. Foi a única personagem de suas histórias que o autor manteve com o nome e descrição reais. Apesar de toda ausência de uma figura paterna em suas histórias, o autor criou também o Visconde de Sabugosa, um homem sábio e amante dos livros, provavelmente seu avô, o Visconde de Tremembé.



Mais fotos

Vista da janela da sala do Sítio.

 
Vista da frente do Sítio.



Referências das fotos: 
 Todas as fotos antigas foram retiradas do livro "Monteiro Lobato - cidade e escritor", de André Barreto.
A foto colorida da fachada foi retirada do site http:/monteirolobato.sp.gov.br/
Todas as outras fotos são minhas.

Referências Bibliográficas
 BARRETO, André. Monteiro Lobato - cidade e escritor. JAC Editora. 
Contato do autor: andrebarrt@gmail.com. Contato da editora: (12) 3928-1555 ou vendas@jaceditora.com.br

 Sites:
http:/monteirolobato.sp.gov.br/ 
http://www.museumonteirolobato.com.br/
O Estado de São Paulo

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Livros, metrô e Nova York: The Underground New York Public Library

“How Should a Person Be?” by Sheila Heti 


"Uma grande biblioteca visual". Esse é um dos conceitos do projeto "The Underground New York Public Library". Desde 2008, a fotógrafa marroquina (e contadora de histórias) Ourit Ben-Haim, diariamente clica momentos de leitura de passageiros nos metrôs de Nova York. Depois, ela publica a fotografia e o título do livro em seu blog. 

Você julga uma pessoa pelo livro que ela está lendo? Devo confessar que sempre que ando de metrô, fico observando o que as pessoas estão lendo. Já vi muita coisa: livros de autoajuda, nerds, guerra, poesia, culinária e até bíblia no iPhone. Quando me dou conta, lá estou divagando e me perco em pensamentos, imaginando o que fez a pessoa escolher tal livro, como ela é e pelo que está passando. Também já reparei certa curiosidade de outros passageiros quando estou lendo algo (alguns exageram, inclusive). Todas essas questões e a relação dos "leitores subterrâneos" sempre me chamou a atenção. Não é por um acaso que o metrô sempre foi meu lugar favorito para "esquecer" os livros. Acho que a nossa amiga Ourit (fiquei íntima, clica aqui para ver o perfil dela no Facebook. Ok, stalker alert!), também compartilha desse pensamento. Imortalizar tais momentos e universos por meio da fotografia, faz desse projeto algo genial e muito especial.  


"Blueberries for Sal," by Robert McCloskey


Para que fique mais organizado, o blog é dividido por categorias: Friday EReader, em que ela publica fotos de pessoas  lendo em seus tablets na sexta-feira; Sunday Morning Bible, são clicadas pessoas lendo bíblias nos domingos;  Tuesday Translation é a terça-feira da tradução -  os leitores do blog podem ajudar a traduzir o título de alguns livros.

Ourit escreve que sempre tenta anotar o nome do livro, seja fotografando ou até perguntando para a própria pessoa. Quando  não consegue, ela pede ajuda no blog (tem uma categoria lá pra isso também). 

"The Underground New York Public Library" é uma daquelas coisas que a gente para, põe a mão na cabeça e fala: "Como não pensei nisso antes?" Uma ideia simples e fantástica. E no final das contas, é muito mais do que um projeto sobre livros, é um projeto sobre gente.

Para conferir, clique aqui. 

domingo, 7 de outubro de 2012

Toda saudade do mundo


"Amor, sabes que te amo demais. Tive muitas mulheres antes de ti, mas nenhuma foi a 'minha mulher'. Por isso não era fiel às outras. Tu foste a melhor coisa que a vida me deu e a minha alegria reside em ti. Não sei como suportarei te esperar. Anseio pela hora de te ver e te ter ao meu lado (...)"


 Carta que Jorge Amado escreveu do exílio, em Paris, à sua mulher, Zélia Gattai. Em 25 de fevereiro de 1948. Disponível no livro TODA SAUDADE DO MUNDO, organizado pelo filho deles, João Jorge Amado.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Lionel Shriver, Kevin e seu pós-aniversário.

Resolvi inaugurar a categoria “Recomendo” com dois livros da mesma autora.

Meu interesse pela Leonel Shriver começou quando eu trabalhava em uma livraria. Sempre achei a capa de Precisamos Falar sobre Kevin muito intrigante e, ao ler a resenha, fiquei curiosíssima. O problema de conviver diariamente com livros é que sempre existem um milhão e tantos outros que eu “sempre quis ler”, e os novos ficavam para depois. Quase um ano depois, passeando por esta mesma livraria, eis que o encontro com desconto. Não pensei duas vezes, comprei e na mesma hora comecei a ler.

Conforme a leitura avançava, fui entrando no mundo de Eva, Kevin e sua família com uma curiosidade mórbida, chocada e maravilhada. Li alguns textos falando que a história trata da ausência dos pais na educação dos filhos. Vi de um modo diferente: para mim, o livro mostra como o relacionamento entre pais e filhos pode ser muito mais complexo do que acreditamos. A autora desconstrói a ideia da maternidade como um momento mágico, único e especial e mostra que a ideia “amor incondicional” não é necessariamente verdadeira.

Algo que chamou muito a minha atenção foi a pesquisa que Shriver fez sobre os casos de adolescentes que realizam massacres em escolas e universidades norte americanas. As referências de histórias verdadeiras, o retrato psicológico dos personagens, os detalhes do relacionamento dos membros da família. Tudo é tão forte, humano, verdadeiro, que fui pesquisar se não era realmente uma história verídica. Não é.


Muitas pessoas me perguntam: o livro é muito pesado? Sim, é muito. Me consumiu demais. Mas nos quatro últimos capítulos, principalmente, eu não conseguia parar de ler. Fui dormir de madrugada vários dias seguidos porque queria saber como acabava a história. Como me recusei a ver o filme ou ler qualquer coisa sobre ele antes de acabar, eu não tinha ideia do final (de tirar o fôlego, aliás).


Quem gosta de uma leitura mais leve, talvez não consiga chegar até o fim do livro. Perdi o ar algumas vezes, senti o estômago comprimido e o coração acelerado. Fiquei espantada, surpresa, diversas vezes. Quando acabei de ler, tiver que passar algum tempo digerindo tudo o que havia acontecido, entendendo os personagens, processando os fatos.

Foi então que, contaminada por este livro, comprei também O Mundo Pós-aniversário. Os dois livros são muito diferentes e muito parecidos ao mesmo tempo. Shriver entra nos personagens e nos assuntos abordados com a mesma profundidade, em narrativas bem distintas.

Fiquei muito surpresa quando, ao terminar o primeiro capítulo, havia dois capítulos 2, dois capítulos 3, dois capítulos 4 e assim por diante. A partir da história das primeiras páginas, a vida de Irina McGovern se desenrola de duas maneiras completamente diferentes com desfechos inesperados. Os capítulos opostos fazem um paralelo da vida da personagem a partir da decisão que ela toma no primeiro capítulo.

Mais uma vez a autora me surpreendeu com a profundidade e os detalhes. As duas histórias do livro são igualmente envolventes e por muitas vezes eu “virava a casaca”, concordando e discordando com uma ou outra decisão de Irina. Fiquei pensando como muitas vezes ficamos perdidos quando precisamos tomar uma decisão importante na vida, com medo de escolhermos a errada, sendo que, no fim das contas, não existe certa ou errada.

O que mais me atrai nos livros de Shriver é a maneira como ela nos envolve com os personagens. A raiva, a indignação, a dúvida, o nervosismo... muitas vezes eu não sabia quais eram os sentimentos dos personagens e quais eram os meus. A sua pesquisa vai muito além de apenas fatos, datas e ideias, ela faz uma pesquisa psicológica muito profunda para montar seus personagens.

Ainda não sei quando vou deixar esses livros por aí. Acho que vou lê-los mais uma vez ainda, até conseguir me desapegar.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O nascimento de um livro


Desde pequena (quer dizer, quando eu era menor ainda), sempre fiquei imaginando como era o processo de montagem dos livros. Isso era algo que realmente me intrigava. Os livros trazem tanta magia para as nossas vidas e o nascimento deles não poderia ser de outra forma, senão mágico.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Apaixonados por livros - #TubainaCast

Uma conversa incrível  e muito gostosa sobre livros que acabou de acontecer. 
Falaram um pouquinho do #Euacheiolivro. Para quem é apaixonado por livros, vale a pena assistir!

Quem gostou do bate-papo, ele rola toda segunda-feira, às 21h.
http://tubainacast.com.br/


terça-feira, 5 de junho de 2012

As Brumas de Avalon

Ele estava atrasado, para variar. O trem não vinha e minha agonia aumentava cada vez mais. O próximo a ser esquecido era "As Brumas de Avalon - A senhora da magia", de Marion Zimmer Bradley. O livro foi um grande companheiro durante a minha adolescência. A despedida não foi fácil, não mesmo. Deixar algo que marcou a sua vida não é simples assim. Mas, já estava decidida. O coitado só estava acumulando poeira na minha estante e também seria o melhor para ele. Estávamos ali, despedindo-nos no banquinho. E o bendito trem não vinha. 


Um moço se sentou ao meu lado. Deve ter achado estranho o fato de eu estar conversando com um livro. 

"Não é você, sou eu. E é o melhor para você. Vou te deixar aqui."

Coloquei o livro no banquinho e logo depois, o trem chegou.

"Adeus!" 

Sabe como as mulheres podem e/ou adoram ser dramáticas naquele fase do mês, né? Então corri. Corri, morrendo de medo de que o livro, ops, alguém me chamasse. E quando finalmente entrei no trem e vi o livro, ali no banco, eu sorri. Um pouco de nervoso, confesso. Mas é muito maluca essa sensação que fica quando a gente deixa um livro. Quando a gente abre um mundo de possibilidades e novas histórias. 

P.s: Deixei esse livro na estação do metrô em março. Sim, culpada! Confesso. Mas faltou inspiração e tempo para escrever! 



Livros, arte e solidariedade

Hoje saiu no Correio Braziliense uma matéria muito bacana sobre o blog. Ficamos muito felizes de estarmos despertando tanta curiosidade nas pessoas.


sábado, 26 de maio de 2012

Um banquinho, um parque e...mais um livro

Fazia algum tempo que eu não deixava um dos meus livros. Ficava escolhendo um lugar bacana pra ele ficar, então hoje resolvi colocar um livro onde há tempos ensaiava.

 
Escolhi o Parque da Cidade. Um lugar inusitado para se achar um livro.

Aliás, achar um livro que foi deixado de propósito...qualquer que seja esse lugar será sempre inusitado, né?

E esse recadinho é pra vc que o encontrou: espero que goste. É uma leitura leve, algo que vai te distrair. Uma coisa eu sei... vai fazer você esquecer da correria desse nosso mundo louco.

Então, foi assim....um parque, um dia de sol, um banco debaixo de uma árvore....e uma boa surpresa. Sorte a sua! Aproveite.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A sombra do vento

Faz tempo que não apareço por aqui. Comecei a perceber que, passada a empolgação inicial de deixar livros em tudo quanto é lugar, comecei a ficar mais exigente. Não queria repetir os lugares, nem deixar livros que não significam algo para mim.

Esse livro rodava comigo há mais de um mês. Hora estava no meu carro, hora na minha bolsa, hora na mala. Mas eu ainda não havia achado lugar para deixá-lo.

Resolvi levá-lo mais uma vez para São Paulo para procurar um lugar bacana.

Ainda em Brasília, fiz um embarque remoto, naqueles ônibus que nos levam até o avião. Estava decidida a levar o livro comigo, mas, ao sentar na última cadeira do ônibus comecei a pensar: Será que a próxima pessoa que sentar aqui não está precisando de um livro para se distrair no voo?

Não sei se quem pegou precisava ou não, mas acho que será difícil resistir ao livro. A sombra do vento é um daqueles livros que, quando engatamos na leitura, não conseguimos mais parar.

Adoraria receber um e-mail de alguém dizendo que estava mesmo precisando de um livro assim para se distrair no voo.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma notícia muito especial


Nosso blog hoje foi matéria do Campus Online - o jornal online da UnB.

Para ler a matéria, é só clicar na imagem:



É uma sensação muito boa saber que a ideia que pareceu tão simples tá conquistando tantas pessoas.
Eu gostei. E vc?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Deixar para receber

Dessa vez, foi a Fernanda. Já tinha um tempo que que ela queria deixar um livro também e, finalmente, achou uma oportunidade.
"A novidade da Jê me arrebatou e fiquei com a maior vontade de participar. Na mesma hora já sai contando para todo mundo, toda animada. Mas faltava colocar em prática (lógico).
Já ao fazer a primeira parte (escolher o livro) percebi que o processo todo ia além de simplesmente deixar um livro em algum lugar.... Passa por escolher algo do qual você vai abrir mão. E este é um dos melhores exercícios hoje em dia. Diria que além de um exercício voltado para o social, é também um exercício individual e íntimo. Serve também como um pontapé para outras ações filantrópicas maiores.
Bem, escolhi o livro (Médico de homem e almas, do Taylor Caldwell) e a ocasião que iria "deixá-lo". Melhor dizer  "compartilhá-lo", porque "deixar" parece abandono, né? Bom, seria num jantar com meu pai que vinha do RJ me visitar em Brasilia.
Chegando no restaurante (Dona Lenha da Asa Norte), esqueci o livro no carro (dãããã...). No meio do jantar fui buscar o livro. Estava decidida. Meu pai não entendeu nada quando voltei com o livro, e  muito menos quando disse para ele que teríamos que praticamente sair correndo depois de pagar a conta. Com certeza iriam tentar me devolver o livro.
Desta vez ainda não vou conseguir dizer como é a reação da pessoa que acha o livro (espero que ela apareça por aqui para contar como foi ;). Mas gostei tanto da experiência que já estou percorrendo novamente minha prateleira de livros.

A iniciativa está de parabéns!
Fernanda L Matta"
Quem está de parabéns é você, Fernanda, que nos ajudou bastante!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um livro....em outras terras



Esse é um amigo de longa data que gostou da ideia e resolveu deixar livros também...e em outras terras. Ah, e foi a primeira testemunha q participou da minha alegria ao ver alguém levando um dos livros  que deixei.

"Tem dois meses que estou para escrever a minha experiência mas a correria não deixou. Mas, aqui vai.

Eu conheci a história desse blog bem no comecinho, encontrando uma Jeanne envergonhada como se tivesse cometendo o maior dos crimes em um shopping deixando seu livro e esbarrando mais tarde na pessoa  que pegou o livro na escada rolante. Achei o projeto "supimpa", termo usado pela minha geração para denominar uma coisa show, legal, bacana. Enfim, fiquei feliz por pessoas se unirem para compartilhar algo que vai além de algumas páginas impressas em times, em helvetica, arial… Compartilham emoções, sentimentos, experiências. Nenhum livro deixa a gente sem marcas. E toda vez que pensamos em emprestar um livro ou mesmo deixa-lo a sua própria sorte, torcemos para que as pessoas sintam o que sentimos. Nem sempre acontece dessa forma, mas é a esperança que nos move.
E eu estava me movendo de Madri para Barcelona em um trem em uma tarde fria de fevereiro. Tinha prometido a Jeanne levar esse projeto para d'alem mar. E assim o fiz. Escolhi um livro ainda no Brasil que tivesse me deixado marcas. E escolhi um que os espanhóis tivessem facilidade de leitura. Escolhi um do fantástico português Gonçalo M. Tavares: O Homem ou é Tonto ou é Mulher. Um livro que tenho presenteado a várias pessoas, sempre que acho que merecem e que vão sentir o que senti. No trem, deixei ao acaso o livro antes de sair da estação com o bilhete escrito a mão em um portunhol bem ruim:
Olá. Este es um regalo. Es para ti. Si. Para ti que os tiene em las manos. Um livro que transpassou mares para chegar ate ti. Se gostares, entre no blog euacheiolivro@gmail.com e nos diga o que achaste. Se nao gostares, também. Abraços. Bom proveito. (algo assim)
Não sei se alguém respondeu. Acho que não. Malditos espanhois. Mas, sinto-me recompensado por contribuir. Tenho que me lembrar de fazer isso mais e mais vezes. Mas, fica aqui o meu registro e incentivo para que todos embarquem nessas deliciosas histórias repartidas. 

Parabéns pela iniciativa. "

Nós é que agradecemos sua participação, Amilton! Valeu a força.