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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um livro deixado bem rapidinho

Como há um tempo eu não deixava livros, levei dois comigo para a viagem a São Paulo e Campos do Jordão. Mas, apesar das surpresas, o feriado foi quase todo de chuva. Fiquei com medo de deixar meus livros e eles estragarem antes que alguém encontrasse.

Hoje, no aeroporto, bateu um peso na consciência de voltar com aqueles dois na bolsa e acabei deixando um. Foi em um restaurante no segundo antes de Congonhas, não me lembro o nome. Passei quase duas horas lendo ali e pensei: talvez alguém também precise de algo para ler e passar o tempo.

Como o restaurante estava cheio, deixei ali, na cadeira, para que a próxima pessoa que a puxassse e sentasse pudesse ter uma supresa.

sábado, 26 de maio de 2012

Um banquinho, um parque e...mais um livro

Fazia algum tempo que eu não deixava um dos meus livros. Ficava escolhendo um lugar bacana pra ele ficar, então hoje resolvi colocar um livro onde há tempos ensaiava.

 
Escolhi o Parque da Cidade. Um lugar inusitado para se achar um livro.

Aliás, achar um livro que foi deixado de propósito...qualquer que seja esse lugar será sempre inusitado, né?

E esse recadinho é pra vc que o encontrou: espero que goste. É uma leitura leve, algo que vai te distrair. Uma coisa eu sei... vai fazer você esquecer da correria desse nosso mundo louco.

Então, foi assim....um parque, um dia de sol, um banco debaixo de uma árvore....e uma boa surpresa. Sorte a sua! Aproveite.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A sombra do vento

Faz tempo que não apareço por aqui. Comecei a perceber que, passada a empolgação inicial de deixar livros em tudo quanto é lugar, comecei a ficar mais exigente. Não queria repetir os lugares, nem deixar livros que não significam algo para mim.

Esse livro rodava comigo há mais de um mês. Hora estava no meu carro, hora na minha bolsa, hora na mala. Mas eu ainda não havia achado lugar para deixá-lo.

Resolvi levá-lo mais uma vez para São Paulo para procurar um lugar bacana.

Ainda em Brasília, fiz um embarque remoto, naqueles ônibus que nos levam até o avião. Estava decidida a levar o livro comigo, mas, ao sentar na última cadeira do ônibus comecei a pensar: Será que a próxima pessoa que sentar aqui não está precisando de um livro para se distrair no voo?

Não sei se quem pegou precisava ou não, mas acho que será difícil resistir ao livro. A sombra do vento é um daqueles livros que, quando engatamos na leitura, não conseguimos mais parar.

Adoraria receber um e-mail de alguém dizendo que estava mesmo precisando de um livro assim para se distrair no voo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Deixar para receber

Dessa vez, foi a Fernanda. Já tinha um tempo que que ela queria deixar um livro também e, finalmente, achou uma oportunidade.
"A novidade da Jê me arrebatou e fiquei com a maior vontade de participar. Na mesma hora já sai contando para todo mundo, toda animada. Mas faltava colocar em prática (lógico).
Já ao fazer a primeira parte (escolher o livro) percebi que o processo todo ia além de simplesmente deixar um livro em algum lugar.... Passa por escolher algo do qual você vai abrir mão. E este é um dos melhores exercícios hoje em dia. Diria que além de um exercício voltado para o social, é também um exercício individual e íntimo. Serve também como um pontapé para outras ações filantrópicas maiores.
Bem, escolhi o livro (Médico de homem e almas, do Taylor Caldwell) e a ocasião que iria "deixá-lo". Melhor dizer  "compartilhá-lo", porque "deixar" parece abandono, né? Bom, seria num jantar com meu pai que vinha do RJ me visitar em Brasilia.
Chegando no restaurante (Dona Lenha da Asa Norte), esqueci o livro no carro (dãããã...). No meio do jantar fui buscar o livro. Estava decidida. Meu pai não entendeu nada quando voltei com o livro, e  muito menos quando disse para ele que teríamos que praticamente sair correndo depois de pagar a conta. Com certeza iriam tentar me devolver o livro.
Desta vez ainda não vou conseguir dizer como é a reação da pessoa que acha o livro (espero que ela apareça por aqui para contar como foi ;). Mas gostei tanto da experiência que já estou percorrendo novamente minha prateleira de livros.

A iniciativa está de parabéns!
Fernanda L Matta"
Quem está de parabéns é você, Fernanda, que nos ajudou bastante!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um livro....em outras terras



Esse é um amigo de longa data que gostou da ideia e resolveu deixar livros também...e em outras terras. Ah, e foi a primeira testemunha q participou da minha alegria ao ver alguém levando um dos livros  que deixei.

"Tem dois meses que estou para escrever a minha experiência mas a correria não deixou. Mas, aqui vai.

Eu conheci a história desse blog bem no comecinho, encontrando uma Jeanne envergonhada como se tivesse cometendo o maior dos crimes em um shopping deixando seu livro e esbarrando mais tarde na pessoa  que pegou o livro na escada rolante. Achei o projeto "supimpa", termo usado pela minha geração para denominar uma coisa show, legal, bacana. Enfim, fiquei feliz por pessoas se unirem para compartilhar algo que vai além de algumas páginas impressas em times, em helvetica, arial… Compartilham emoções, sentimentos, experiências. Nenhum livro deixa a gente sem marcas. E toda vez que pensamos em emprestar um livro ou mesmo deixa-lo a sua própria sorte, torcemos para que as pessoas sintam o que sentimos. Nem sempre acontece dessa forma, mas é a esperança que nos move.
E eu estava me movendo de Madri para Barcelona em um trem em uma tarde fria de fevereiro. Tinha prometido a Jeanne levar esse projeto para d'alem mar. E assim o fiz. Escolhi um livro ainda no Brasil que tivesse me deixado marcas. E escolhi um que os espanhóis tivessem facilidade de leitura. Escolhi um do fantástico português Gonçalo M. Tavares: O Homem ou é Tonto ou é Mulher. Um livro que tenho presenteado a várias pessoas, sempre que acho que merecem e que vão sentir o que senti. No trem, deixei ao acaso o livro antes de sair da estação com o bilhete escrito a mão em um portunhol bem ruim:
Olá. Este es um regalo. Es para ti. Si. Para ti que os tiene em las manos. Um livro que transpassou mares para chegar ate ti. Se gostares, entre no blog euacheiolivro@gmail.com e nos diga o que achaste. Se nao gostares, também. Abraços. Bom proveito. (algo assim)
Não sei se alguém respondeu. Acho que não. Malditos espanhois. Mas, sinto-me recompensado por contribuir. Tenho que me lembrar de fazer isso mais e mais vezes. Mas, fica aqui o meu registro e incentivo para que todos embarquem nessas deliciosas histórias repartidas. 

Parabéns pela iniciativa. "

Nós é que agradecemos sua participação, Amilton! Valeu a força.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dessa vez foi na terra da garoa

Esse ano resolvi passar o Carnaval em São Paulo. Fugir do agito, curtir os amigos e matar a saudade do namorado, era tudo o que eu queria. Clima e data perfeitos para deixar um livro. Levei dois.

Já no primeiro dia, saí com um na bolsa.

O livro era Agosto, do Rubem Fonseca. Já estava com esse livro para cima e para baixo tem algum tempo, mas estou cada dia mais exigente com os locais que deixo.Queria deixar em um lugar diferente. Já havia deixado em shoppings e restaurantes, estava muito óbvio. Pensei em deixar no Ibirapuera, mas São Paulo chove muito. E o medo de molhar o livro? Nem pensar.
Foi então que pensei: em Brasília eu nunca ando de metrô, dificilmente conseguiria deixar algum lá. E acho o metrô perfeito para isso. Geralmente as pessoas estão indo ou voltando do trabalho, cansadas, nada como uma bela supresa dessas. No caso era sábado de carnaval, pouca gente deveria estar indo trabalhar, mas muitas pessoas estavam a procura de diversão.


Combinei com a amiga e o namorado de não darem bandeira: assim que chegarmos a nossa estação, saímos e não olhamos para trás. Foi o que fizemos. Coloquei o livro no canto, perto da minha perna. Na hora de descer, minha amiga e meu namorado levantaram e eu fiquei sentada. Vi uma mulher de óculos escuros olhando na minha direção. pensei: se eu levantar, ela vai vir atrás. Fiquei sentada e, quando chegamos à estação Trianon-Masp, saí correndo.


Subindo às escadas rolantes, vi um homem com o filho no colo sentando ao lado do livro. Ele olhou, olhou, mas não consegui ver se pegou... Tanto faz, só espero ter deixado alguém mais feliz!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Gregório de Matos na Torteria



Eu, Carol, Andresa e Taís fomos almoçar no Liberty Mall (um shopping aqui de Brasília).
Terminamos de almoçar, Andresa saiu para resolver algumas coisas. Eu virei para as meninas e disse: - Vamos sair rápido, pois vou deixar um livro aqui na cadeira.
Eu e a Taís andamos bem rápido (quase correndo pela praça de alimentação do shopping). Paramos na Torteria Di Lorenza para comer um docinho, quando de repente só escuto de fundo: - Moça, moça... Você esqueceu esse livro lá na mesa!
Olho para trás e vejo a Carol toda vermelha (de vergonha): - Nãooooo, esse livro não é meu! O garoto me olha com aquele olhar de então é seu.
Eu logo respondi: - Meu??? Não!!!! Nunca vi esse livro (ainda bem que a história de pinóquio não é verdade! Senão meu nariz... hehe)
Claro que me deu a maior crise de riso, eu mal conseguia fazer meu pedido. Acabei fingindo que estava rindo do ratinho de chocolate e foi ele mesmo que eu pedi.
Quando fui sentar, vi que a moça que trabalha na Torteria estava com o livro Poesias Selecionadas de Gregório de Matos na mãos.
Espero que ela goste tanto quanto eu do livro.

"O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
ma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta". (Gregório de Matos)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

No escurinho do cinema...

Fomos assistir o filme Sherlock Holmes no cinemark do parkshopping.
No final do filme, levantei, coloquei o livro em cima da cadeira e fomos embora.
Como estávamos sentados próximos da porta de saída, e tinha um papel amarelo fluorescente bem em cima do livro, com certeza uma das pessoas que estavam saíndo pegou o livro :)
Tentei andar devagar, olhava para os lados... mas não vi ninguém passando com o livro: Perdas e Ganhos da Lya Luft

Mais um livro se foi...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Passeando por Goiânia

Fizemos um trato: toda vez que viajarmos, deixaremos um livro em algum lugar do Brasil ou até do mundo.Esse final de semana decidi, então, deixar dois. Um no meio do caminho para Goiânia, outro já na cidade.

No caminho, sempre tem a paradinha no bom e velho Jerivá para comer o sensacional Jerê de quatro queijos. Nem deu para escolher muito onde deixar lá dentro, na verdade. A lanchonete estava lotada e quase não havialugar para sentar. Fora a fila enorme na saída para pagar. Achei muito arriscado deixar ali, no meio de todo mundo, alguém iria me reconhecer. Decidi, então, e mais uma vez, deixa no banheiro. Não, dessa vez não foi Drummond, foi Manoel de Barros, já falei dele por aqui.

O banheiro também estava cheio, mas era mais fácil deixar o livro e sair como se nada tivesse acontecido. Deixei, ainda enrolei lavando as mãos, mas não vi ninguém pegando. Comi meu salgado olhando nas mãos de todos que passavam, mas não conseguir ver. Tudo bem, acho que a graça está mesmo no anonimato.

Mas ainda havia um livro. Esse deveria ser escolhido com cuidado.A história é romântica, daquelas que não ficam atrás de nenhuma comédia romântica hollywoodiana: A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo.

No sábado a noite, saí para um bar com o namorado e amigos. Coloquei o livro na bolsa. Meu namorado ainda falou para eu não levar: bar é lugar de gente bêbada e, se alguém achasse, não daria bola ou poderia estragar o livro. Mas alguma coisa me dizia que eu devia levar. Passamos a noite rindo e conversando, nem me lembrei do livro. Na volta para casa, passando ao lado de uns banquinhos no Parque Lago das Rosas, falei: Para o carro! Com certeza meu namorado me achou maluca. Peguei o livro da bolsa, desci correndo e larguei em um dos bancos. Não existe um lugar mais despretensiosamente romântico do que um banco de praça, imagina a alegria de alguém que encontraria aquele livro em sua caminhada matinal de domingo.

Fui para casa e dormi feliz com o final de mais uma de minhas missões clandestinas.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Almoçando com Fernando Sabino

Deixei o livro Lugares Comuns de Fernando Sabino em cima da mesa, depois de um delicioso almoço com as amigas.
Saímos rapidinho para não correr o risco de ninguém vim atrás para devolver o livro.
E fiquei muito FELIZ ao ver que o rapaz que limpa as mesas do praça de alimentação achou o livro.

E como diz Fernando Sabino: "Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um".

sábado, 28 de janeiro de 2012

Hoje é dia de academia, bebê!

Confesso que nem esperava ter uma história para contar hoje. Pensei: levo o livro para a academia, deixo ali no sofá do subsolo onde vai menos gente e vou embora. Mas é claro que as coisas não sairiam como pensei.

Cheguei na academia e dei de cara com um aviso enorme dizendo que o subsolo estava interditado para reformas. Tudo bem, ainda havia o sofá do segundo andar. Malhei, corri, tomei meu banho e, quando penso em deixar o livro no outro sofá, descubro o segundo andar LOTADO por conta de um esquenta de carnaval: aula de Ritmos bombando e uma mesa de café da manhã enorme. Resolvi arriscar.

Sentei no sofá, tirei o livro, coloquei minha bolsa em cima e minha mochila no chão. Enfiei um pouco o livro no canto do sofá para não fiar muito evidente quando eu levantasse. Mas quando estou pensando em ir embora, encontro um amigo que não via há uns 6 anos. Não dava para simplesmente dispensá-lo. Conversa vai, conversa vem, ele senta do meu lado e eu quase amasso o livro para tentar escondê-lo. Até fiquei com vontade de revelar para ele minhas atividades clandestinas, mas achei melhor não, até porque seria muito legal se ele encontrasse.

Bom, mas enfim ele levantou para malhar, esperei um pouco e saí, na maior naturalidade. As pessoas estavam tão entretidas com a farra que estava acontecendo que acho que vão demorar a descobrir o livro ali, enterrado no sofá.

O livro foi Morte e Vida Severina, do João Cabral de Melo Neto. Li o livro lá pela oitava série, primeiro ano, exigência da escola. E digamos que não seja um livro que atraia muito um adolescente. Não me lembro quem, na época, me dava aula de literatura. Quem quer que seja, me fez enxergar uma das obras mais bonitas da literatura brasileira. E olha que não sou uma pessoa tão fã de poesia. Não digo que não gosto, simplesmente não nasci para ela. Mas este livro é diferente, principalmente quando, depois de lê-lo, assiste-se o filme homônimo, onde versos de João Cabral foram musicados por Chico Buarque. Espero, sinceramente, que a pessoa que o encontre goste tanto quanto eu!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Fernando Pessoa na academia...



Primeiramente, não sou uma pessoa tímida e ficar sem graça é uma raridade (uma verdadeira Cara de pau). Desta vez abandonei o livro de Fernando Pessoa Obra Poética I - Mensagens na academia do prédio onde moro em Águas Claras.
Só estava eu e meu marido na academia, coloquei o livro em cima do suporte de pesos, e o fato de estar sendo filmada pelas cameras de segurança não me intimidou nem um pouco.
Mas como sou bastante curiosa, estou louca para ver na camera de segurança quem achou o livro rsrrs (será que consigo chantagear o zelador???? kakaka)

Capitu vai ao mercado

Há dias rodo com este livro dentro da bolsa. A história, já sei de cór, li três vezes. Um dos poucos livros, aliás, que li mais de uma vez. Para uma pessoa ansiosa como eu, que quer fazer tudo ao mesmo tempo, é quase impossível repetir uma leitura: afinal, existem tantos livros para ler no mundo ainda!

O título? Dom Casmurro. Acho que nem preciso dizer que é do Machado de Assis, né? Aliás, isso agrava todo o cuidado que estava tendo para escolher o lugar onde deixá-lo. Machado de Assis é, para mim, o melhor escritor brasileiro de todos os tempos. Ele está para a literatura assim como o Chico Buarque está para a música (ou seja, ídolo, muso, galã, paixão, inspiração e todos os adjetivos que uma tiete frenética poderia usar).

Passei por vários lugares, pensei, pensei, pensei e nada me ocorria. O livro é uma história de amor, mas, bem, com um final não tão feliz... Não dava para deixar num banquinho de praça, nem num parque. Mas também não seria legal deixar num banco, num restaurante ou coisa assim. Tinha que estar em algum lugar onde quem pegasse estivesse preparado para desvendar o maior mistério da literatura brasileira: afinal, Capitu traiu ou não traiu Bentinho?

Foi então que minha mãe me deu a luz! Não essa luz que estão pensando, essa ela me deu há 27 anos atrás. Ela só me pediu para ir ao supermercado. E por que não o supermercado? Como não havia pensando nisso antes? Gente, o supermercado é o local mundial da procura por diversão. Se vamos sair, passamos para comprar bebida; se vamos assistir um filme, passamos para comprar pipoca e refrigerante; se vamos fazer um jantar, nem precisa falar; se queremos afogar as mágoas, a sessão de doces está lá, sempre a nossa espera também. Genial! Mas agora o drama é: onde colocar dentro supermercado?

História de amor... bom, talvez a sessão de champagnes? Melhor não, como eu disse, o romance não tem um final tão feliz assim. Já estou vendo a cena: o cara chega para comprar um champagne e levar para seu jantar romântico, cheio de amor para dar. Dá de cara com o livro e resolve dar uma lidinha, para distrair. Ao se deparar com as suspeitas de Bentinho, olha para um lado, para o outro e pensa: será um sinal? Será que alguém está tentando me dizer algo? Não, não, não quero acabar o romance de ninguém com meu livro.

Acho que vou para a seção dos pães, porque não existe nada mais sem paixão e sem glamour do que pão, né? O pão, aquela massa de trigo com gosto de nada (ou, dependendo do padeiro, de sal), entra na casa de todo mundo, não importa a ocasião. Mas não... quem vai no mercado atrás de pão não está disposto a desvendar o segredo de Capitu. Quer, no máximo, sabe se o cara do Big Brother estuprou ou não a menina.

E é aí que dou de cara com a pipoca! Sim, a pipoca! Vamos atrás de pipoca quando queremos assistir um filme, não é mesmo?! Então, por que não trocar filme pelo livro?! Claro! A pipoca, companheira de dramas, mistérios, terror, comédias, romances e etc. A pipoca será então.

Dessa vez foi tão natural. Fingi que estava escolhendo uma pipoca, tirei o livro da bolsa, coloquei no meio delas e saí. Não esperei para ver se alguém ia pegar. Achei melhor não saber, vai que não gosto da cara da pessoa? Ia querer pegar Bentinho e Capitu de volta. Não, não, melhor contar com a bondade do destino. Paguei minha conta e fui embora.

Só uma coisa que esqueci de contar. Meu bilhetinho, dessa vez, foi diferente. Espero que quem encontre me responda uma pergunta que eu, até hoje, não desvendei: afinal, traiu ou não traiu?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Seguindo o coelho branco


 "A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas... Mas não posso explicar a mim mesma."

(Alice no País das Maravilhas)


Assim responde Alice quando a Lagarta Azul pergunta: "Quem é você?". Quem nunca se sentiu como a menina, perdida não só em um país maluco, mas sim, entre uma multidão de "eus"? Eu já. Diversas vezes. Por este e outros motivos, Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll) é uma das minhas leituras favoritas desde criança. Assim, o primeiro livro a ser "esquecido" não poderia ser outro.

Resolvi deixar o livro em um lugar que leva gente o dia inteiro pra lá e pra cá: o metrô. Escolhi o horário  de pico, no final da tarde (o que me fez sentir um pouco como o Tom Cruise na série Missão Impossível, só com menos glamour – é claro!). Entrei no trem, sentei, tirei o livro discretamente da bolsa e coloquei em cima do colo. Assim, quando eu chegasse na estação, era só deixar em cima do banco e sair rápido. Claro que eu não previa complicações e meu plano inicial não deu certo. Logo mais entrou uma mulher (que não estava com uma cara muito feliz) e ficou em pé, bem de frente para mim. O pior que ela era daquele tipo de pessoa que fica encarando o tempo todo. Qual o problema, dona? Será que ela sabia que eu estava em uma missão secreta? Bem, era melhor eu parar com besteiras e pensar em um plano B. Então olhei pro lado e vi que tinha um ferro entre o banco e a parede do trem. Perfeito. Puxei o livro para o lado e o deixei ali. 

Depois tive que me controlar para não olhar o livro o tempo todo e a vontade de rir. Sim, sabe-se lá o motivo, eu tive uma vontade descontrolada de rir. Quando chegou na minha estação, levantei-me apressadamente, mas tinha um senhor andando bem devagar na minha frente. Mais uma vez tive que controlar o riso. Olhei para trás e vi o livro ali e alguém indo se sentar no meu lugar. Missão cumprida. Agora é só torcer para que alguém aproveite o livro e se divirta com a leitura, assim como eu. 


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Pegadinha

Ontem, no almoço, resolvi seguir o conselho da Jê e ser mais ousada. Queria deixar O Grande Mentecapto, do Fernando Sabino, em algum lugar visível, de preferência em cima da mesa.

Fui almoçar em um restaurante no shopping (novamente), mas achei que em cima da mesa ficaria muito a vista, ainda não estou com essa coragem. Sentei, então, em uma mesa daquelas cujo banco é um sofá. No canto, encostada na parede, perfeita. Deixaria ali no banco mesmo. O bom é que o lugar era aconchegante e quem achasse o livro poderia começar a ler ali mesmo.

Almoçamos, batemos papo e saímos. Deixei o livro ali, como planejado e fui para o caixa. Ainda quase correndo e, segundo as colegas que estavam comigo, com o rosto todo vermelho. Eis que vem o garçom atrás da gente: Meninas, alguma de vocês esqueceu... (nessa hora eu gelei e comecei a pensar quais desculpas daria: não, não é nosso! Ou: livro?! Eu nem leio!)... os óculos de sol na mesa. UFA!, pensei. Não era o livro.

Fui à mesa, catei meus óculos (claro, eram meus!) e corri para o caixa, morrendo de medo do garçom voltar. Mas não voltou.

Conselho do dia: cuidado com os garçons!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O apego

É... não dá para dizer que estou tão desapegada assim dos meus livros.

Sítio arqueológico no Irã. Antiga Pársagada.
Saí ontem do trabalho decidida a deixar no sofá da academia hoje de manhã, Itinerário de Pasárgada, de Manuel Bandeira. Quando cheguei em casa resolvi reler a contracapa, a orelha e as primeiras páginas do livro.

"Depois das evocações da infância e da adolescência, o poeta traça o que poderíamos chamar de uma autobiografia intelectual, estendendo-se sobre a sua formação literária e sua convivência com a poesia."

Não aguentei, resolvi reler. Vou ter que escolher outro livro e colocar Bandeira na minha mesa de cabeceira.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Personagem de comédia

Foi assim que me senti hoje quando fui "esquecer" meu livro.

A ideia era deixar no carrinho de compras da garagem do meu prédio, já que sempre está vazia. Só que eu deveria ser discreta para o porteiro não perceber pelas câmeras e resolver me devolver.

O incrível é que nunca tem ninguém na garagem quando eu chego e hoje, logo hoje, entraram 4 carros comigo. Resolvi esperar, né? Mas como mulher demora a sair do carro! Arruma maquiagem, cata menino no banco de trás, sacola, periquito, papagaio. E eu não tinha mais o que fingir que estava fazendo.

Bom, quando não tinha mais sinal de vida humana lá embaixo, saí do meu carro. Aí vai eu: mochila de academia, toalha, bolsa, sacola de lanche e o livro na mão. Aham, muito discreta! Cheguei perto do elevador e consegui deixar tudo cair dentro do carrinho junto com o livro. Nessa hora imaginei o porteiro já assistindo a comédia com um saco de pipocas no colo.

Enfim, tirei tudo e larguei o livro. Nem me preocupei se ele realmente estava vendo ou não. Na pior das hipóteses, se alguém aparecer na minha porta querendo devolver, eu dou uma de desentendida. E se não colar, mando minha mãe dizer que, sei lá, tenho dupla personalidade.

Ah! E o livro de hoje foi "Noviço", que na verdade é uma peça do Martins Penna. Será quem vai achar?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Amar se aprende amando


Hoje fui ao shopping almoçar com Drummond, mas precisava escolher bem onde deixá-lo.

O restaurante estava cheio, a praça de alimentação lotada. Procurei uma daquelas pracinhas que ficam entre as lojas... também tinha muita gente circulando. Já estou no terceiro livro, mas o medo de que alguém saia correndo atrás de mim ainda não passou. Aí eu pensei, que tal o banheiro? Lá, pelo menos, deve ter menos gente. E fomos para o banheiro: eu, Drummond e a Andressa.

A intenção era deixar em cima da pia, só que com tanta mulher se arrumando no espelho, alguém certamente notaria. Resolvi, então, entrar dentro de um dos boxes, fingir que estava usando e deixar em cima do vaso sanitário. Dei um tempo, coloquei o livro, dei descarga e saí. Lavei as mãos e, quando estava secando, eis que entra uma mulher e dá de cara com o livro!

Meu nervosismo era tanto que saí quase correndo do banheiro. Mas a Andressa percebeu e ficou 10 minutos secando as mãos só para ver se ela pegaria o livro. E pegou!

Demos um tempo na frente do banheiro e esperamos ela passar na nossa frente para que eu pudesse tirar uma foto. Queria uma foto que aparecesse o livro em sua mão, mas não consegui. Ela agarrou Drummond com seu braço direito, como se não quisesse mais soltá-lo.

Tudo bem, sem registros fotográficos, mas na minha memória vai ficar registrado sempre. Foi muito bom ver alguém sair com meu livro debaixo do braço!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Mundo de Sofia

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece, comigo não foi diferente. Cheguei ao aeroporto nervosa, sabia que a partir daquele dia eu não seria mais a mesma. Fiz o check-in, despachei a bagagem, fui fazer um lanche, mas só conseguia pensar no que estava por acontecer.

Resolvi entrar na sala de embarque para poder diminuir um pouco a minha ansiedade. Mas, e agora? Não sabia se fazia ali mesmo, ou se deixava para fazer no avião, com mais privacidade. Se eu fizesse ali, a chance de alguém ver e estragar tudo era grande, a sala estava lotada. Se eu fizesse no avião, poderia ser interrompida por um comissário ou passageiro.

Bom, mas se é para fazer, que seja direito. Resolvi, então, arriscar: seria na sala de embarque mesmo.

Tirei dois livros da mochila, um que eu estava lendo e o que seria abandonado. Esse último era um livro muito especial para mim, foi um dos que eu mais gostei na vida e por causa dele eu passei a gostar e entender muito mais sobre as questões complicadas que aprendia nas aulas de Filosofia da escola. Era O Mundo de Sofia.

Coloquei o livro debaixo da minha mochila disfarçadamente e comecei a ler as crônicas de Veríssimo que estavam comigo. Mas pouco me concentrei. Só pensava na hora em que iria embarcar e teria que sair correndo para que ninguém tentasse me devolver o "livro que esqueci"  na mesinha. TInha todo um plano armado: espero todos embarcarem e depois eu entro para não ficar na fila e alguém resolver vir me entregar o livro.

O plano não ocorreu como planejado, tive que passar no banheiro já que a viagem seria longa, cerca de 4 horas. Mesmo assim, suava frio na hora de levantar da cadeira. Guardei tudo na mochila, coloquei ela nas coisas e saí correndo.

Pensando agora, deve ter sido uma cena engraçada, parecia até que eu estava largando uma bomba no saguão do aeroporto. Mas a sensação que ficou depois foi muito gratificante.

Confesso que estou louca para saber quem pegou meu livro. Espero que a pessoa goste muito e que ela me escreva (logo!).