sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Pegadinha

Ontem, no almoço, resolvi seguir o conselho da Jê e ser mais ousada. Queria deixar O Grande Mentecapto, do Fernando Sabino, em algum lugar visível, de preferência em cima da mesa.

Fui almoçar em um restaurante no shopping (novamente), mas achei que em cima da mesa ficaria muito a vista, ainda não estou com essa coragem. Sentei, então, em uma mesa daquelas cujo banco é um sofá. No canto, encostada na parede, perfeita. Deixaria ali no banco mesmo. O bom é que o lugar era aconchegante e quem achasse o livro poderia começar a ler ali mesmo.

Almoçamos, batemos papo e saímos. Deixei o livro ali, como planejado e fui para o caixa. Ainda quase correndo e, segundo as colegas que estavam comigo, com o rosto todo vermelho. Eis que vem o garçom atrás da gente: Meninas, alguma de vocês esqueceu... (nessa hora eu gelei e comecei a pensar quais desculpas daria: não, não é nosso! Ou: livro?! Eu nem leio!)... os óculos de sol na mesa. UFA!, pensei. Não era o livro.

Fui à mesa, catei meus óculos (claro, eram meus!) e corri para o caixa, morrendo de medo do garçom voltar. Mas não voltou.

Conselho do dia: cuidado com os garçons!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O apego

É... não dá para dizer que estou tão desapegada assim dos meus livros.

Sítio arqueológico no Irã. Antiga Pársagada.
Saí ontem do trabalho decidida a deixar no sofá da academia hoje de manhã, Itinerário de Pasárgada, de Manuel Bandeira. Quando cheguei em casa resolvi reler a contracapa, a orelha e as primeiras páginas do livro.

"Depois das evocações da infância e da adolescência, o poeta traça o que poderíamos chamar de uma autobiografia intelectual, estendendo-se sobre a sua formação literária e sua convivência com a poesia."

Não aguentei, resolvi reler. Vou ter que escolher outro livro e colocar Bandeira na minha mesa de cabeceira.

A Máscara Caiu

Estou mais atrevida, é fato.
Mas tem seu preço - nada que não valesse à pena (rs).

E foi assim...

Brasília tá submersa, é uma chuva que não para nunca.

Então, meus livros estão sendo colocados em lugares públicos fechados.
Hoje foi na Fratello - uma pizzaria aqui de Brasília.

E, pra combinar com o tempo fechado, escuro e chuvoso, acrescentei mais um tempero: Um assassinato à la Agatha Christie.

Saí para uma happy hour com amigas e resolvi deixar a Agatha na mesa que ocupamos, logo após pagasse a conta.

Não sem antes avisar ao garçon - afinal de contas, eles são rápidos pra fazer a limpeza da mesa.

Assim, evitaria que corresse atrás de mim aos "berros": Sra! Sra! Esqueceu seu livro.

Quero fazer um parênteses, mas preciso dizer:
- 1º - detesto ser chamada de senhora;
- 2º - ia ficar roxa de vergonha ao ser abordada no meio de um local público lotado.

Fecha parênteses.

Avisei ao garçon: Moço, vou deixar uma coisa em cima dessa mesa, mas é pra ficar aqui mesmo, tá?
Não teve nenhum problema.

Tomamos nosso vinho, batemos um ótimo papo, comendo uma deliciosa pizza, pagamos a conta.
Deixei o livro.

E não é que vem outro garçon e me para no meio do caminho pra "devolver" o livro que deixei?

Mas fui socorrida de imediato pelo outro garçon ( o meu amigo) - que agora ganhou minha simpatia eterna. Rapidamente se aproximou, pegou o livro da minha mão e disse: Pode deixar comigo que coloco de volta na mesa.

Ufa! Meu atrevimento no final teve um preço mas valeu à pena.
E foi nesse dia que minha identidade foi revelada. Ao menos lá na pizzaria.

Tenho um propósito. Já que não posso negar meu lado romântico. É deixar num banco de uma praça de uma quadra qualquer aqui de Brasília e ficar de longe, só espiando pra ver a reação do sortudo, ou sortuda, do dia.

É só essa chuva passar, né gente?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Personagem de comédia

Foi assim que me senti hoje quando fui "esquecer" meu livro.

A ideia era deixar no carrinho de compras da garagem do meu prédio, já que sempre está vazia. Só que eu deveria ser discreta para o porteiro não perceber pelas câmeras e resolver me devolver.

O incrível é que nunca tem ninguém na garagem quando eu chego e hoje, logo hoje, entraram 4 carros comigo. Resolvi esperar, né? Mas como mulher demora a sair do carro! Arruma maquiagem, cata menino no banco de trás, sacola, periquito, papagaio. E eu não tinha mais o que fingir que estava fazendo.

Bom, quando não tinha mais sinal de vida humana lá embaixo, saí do meu carro. Aí vai eu: mochila de academia, toalha, bolsa, sacola de lanche e o livro na mão. Aham, muito discreta! Cheguei perto do elevador e consegui deixar tudo cair dentro do carrinho junto com o livro. Nessa hora imaginei o porteiro já assistindo a comédia com um saco de pipocas no colo.

Enfim, tirei tudo e larguei o livro. Nem me preocupei se ele realmente estava vendo ou não. Na pior das hipóteses, se alguém aparecer na minha porta querendo devolver, eu dou uma de desentendida. E se não colar, mando minha mãe dizer que, sei lá, tenho dupla personalidade.

Ah! E o livro de hoje foi "Noviço", que na verdade é uma peça do Martins Penna. Será quem vai achar?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Amar se aprende amando


Hoje fui ao shopping almoçar com Drummond, mas precisava escolher bem onde deixá-lo.

O restaurante estava cheio, a praça de alimentação lotada. Procurei uma daquelas pracinhas que ficam entre as lojas... também tinha muita gente circulando. Já estou no terceiro livro, mas o medo de que alguém saia correndo atrás de mim ainda não passou. Aí eu pensei, que tal o banheiro? Lá, pelo menos, deve ter menos gente. E fomos para o banheiro: eu, Drummond e a Andressa.

A intenção era deixar em cima da pia, só que com tanta mulher se arrumando no espelho, alguém certamente notaria. Resolvi, então, entrar dentro de um dos boxes, fingir que estava usando e deixar em cima do vaso sanitário. Dei um tempo, coloquei o livro, dei descarga e saí. Lavei as mãos e, quando estava secando, eis que entra uma mulher e dá de cara com o livro!

Meu nervosismo era tanto que saí quase correndo do banheiro. Mas a Andressa percebeu e ficou 10 minutos secando as mãos só para ver se ela pegaria o livro. E pegou!

Demos um tempo na frente do banheiro e esperamos ela passar na nossa frente para que eu pudesse tirar uma foto. Queria uma foto que aparecesse o livro em sua mão, mas não consegui. Ela agarrou Drummond com seu braço direito, como se não quisesse mais soltá-lo.

Tudo bem, sem registros fotográficos, mas na minha memória vai ficar registrado sempre. Foi muito bom ver alguém sair com meu livro debaixo do braço!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Agora parece real

Gosto quando coisas bacanas acontecem, sem esperar por elas.

Acabei de deixar um livro numa agência bancária de um shopping de Brasília ( já disse que moro aqui?).

Agora, ao largar o livro ele já não queima nas minhas mãos. Não tive medo, vergonha ou o que for, de ser “descoberta”. Deixei em um Banco, mesmo sabendo que estava sendo “vigiada” pelas câmeras de segurança.

Tô ficando mais atrevida (!?!). Mas deixei e fui embora fazer minhas unhas. Quando acabei, ia descer a escada rolante e duas garotas estavam paradas em frente, impedindo minha passagem. Pedi licença e, quando uma delas se virou pra abrir caminho...tava lá! O livro “do Banco”! Dessa vez foi o Malu de Bicicleta do Marcelo Rubens Paiva.

Tomara que ela goste.

Mas a sensação de ter visto a pessoa carregando o livro que deixei, foi ótima. Ela se tornou um personagem real pra mim. E ela nem sabe que fui eu, mesmo tendo aberto o maior sorrisão quando vi o  Malu nas mãos dela. Tomara que eu não tenha dado mole. Não quero que as pessoas saibam quem é aquela que fica largando livros por aí.


Talvez esse ar de mistério seja meu lado romântico falando mais alto.

Quero é ficar no anonimato. Acho mais legal.

Ao menos por enquanto.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Mundo de Sofia

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece, comigo não foi diferente. Cheguei ao aeroporto nervosa, sabia que a partir daquele dia eu não seria mais a mesma. Fiz o check-in, despachei a bagagem, fui fazer um lanche, mas só conseguia pensar no que estava por acontecer.

Resolvi entrar na sala de embarque para poder diminuir um pouco a minha ansiedade. Mas, e agora? Não sabia se fazia ali mesmo, ou se deixava para fazer no avião, com mais privacidade. Se eu fizesse ali, a chance de alguém ver e estragar tudo era grande, a sala estava lotada. Se eu fizesse no avião, poderia ser interrompida por um comissário ou passageiro.

Bom, mas se é para fazer, que seja direito. Resolvi, então, arriscar: seria na sala de embarque mesmo.

Tirei dois livros da mochila, um que eu estava lendo e o que seria abandonado. Esse último era um livro muito especial para mim, foi um dos que eu mais gostei na vida e por causa dele eu passei a gostar e entender muito mais sobre as questões complicadas que aprendia nas aulas de Filosofia da escola. Era O Mundo de Sofia.

Coloquei o livro debaixo da minha mochila disfarçadamente e comecei a ler as crônicas de Veríssimo que estavam comigo. Mas pouco me concentrei. Só pensava na hora em que iria embarcar e teria que sair correndo para que ninguém tentasse me devolver o "livro que esqueci"  na mesinha. TInha todo um plano armado: espero todos embarcarem e depois eu entro para não ficar na fila e alguém resolver vir me entregar o livro.

O plano não ocorreu como planejado, tive que passar no banheiro já que a viagem seria longa, cerca de 4 horas. Mesmo assim, suava frio na hora de levantar da cadeira. Guardei tudo na mochila, coloquei ela nas coisas e saí correndo.

Pensando agora, deve ter sido uma cena engraçada, parecia até que eu estava largando uma bomba no saguão do aeroporto. Mas a sensação que ficou depois foi muito gratificante.

Confesso que estou louca para saber quem pegou meu livro. Espero que a pessoa goste muito e que ela me escreva (logo!).